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Aí galera, após uma excelente noite no Albergue Municipal de Bituruna, segui a viagem para Faxinal do Céu. Um dos piores trechos de toda a viagem, saindo de Bituruna já me deparei com 5 km de subida, mas pense na subida, depois disso desci 6 km, coisa linda de meu Deus ... hahaha. Após isso tinha mais 15 km de subida, antes da grande descida até a barragem de Foz do Areia. A descida foi linda, maior velocidade com a carretinha, 72 km/h ... iuhulllll, após a represa, começa mais uma subida até Faxinal do Céu, e digo que, subir uma pirambeira de caminhão é subir chorando ... e eu também. Fui fácil mais 20 km de subida braba, a sorte é que tinha muitas quedas de água na estrada e deu para dar várias refrescadas. Ao chegar a Faxinal que é uma vila da Copel, ainda aguentava mais um tanto e segui por mais uns 5 km. Parei a beira da estrada em uma fazenda de gado leiteiro, lá pedi permissão para acampar e um pouco de água para repor as garrafinhas. Conheci o dono da propriedade um senhor de 70 anos, me contou um pouco de sua estória e suas aflições. Ele morava naquele pedaço de terra há 23 anos, teve já plantação de milho, soja, feijão e gado leiteiro, mas estava muito desacreditado de sua profissão, dizia ele: – “Hoje em dia ou se planta para consumo próprio ou não vale a pena, a não ser que você seja um super latifundiário; hoje em dia ou você é escravo da MONSANTO ou é das COOPERATIVAS; se compra semente tem que comprar o coquetel de agrotóxicos para produzir bem, além disso, se gasta o maior tempo e dinheiro, para no final a cooperativa te roubar o resto. Por mim eu plantava tudo eucalipto nesta terra, mas o governo está estudando de colocar umas torres de energia do vento e talvez dê um dinheirinho extra. Senão vou acabar vendendo tudo e indo morar numa cidade, para acabar morrendo mais perto do cemitério. Meus filhos acham que o trabalho na roça não vale a pena, só querem saber da cidade e eu vou ficar aqui lutando pelo o que”.
Ele também me falou das sementes crioulas, que tinha saudades e se pudesse jamais teria as deixado sumirem, dava muito menos trabalho e os animais gostavam. Além de ter outro sabor, ele disse isso, porque hoje em dia só se acha sementes transgênicas, você tem que comprar a semente e o coquetel junto, já as crioulas são adaptadas naturalmente ao clima, produzem menos, mas o trabalho também é menor.
Digo que nesta semana e meia de viagem, este é o quarto agricultor que fala a mesma coisa: as sementes novas são muito ruins, estão acabando com os pequenos agricultores e os filhos destes já não vêm o trabalho na roça, como um trabalho bom para a vida e explico por quê?
Antigamente as famílias plantavam para consumo próprio e obter algum dinheiro, hoje se planta para vender em grande quantidade e obter lucro. Com as sementes novas, se gasta muito para poder plantar, além do trabalho aumentado pela demanda exigida pelos venenos que tem que se aplicar. Muitos destes agricultores pararam no tempo, foram obrigados por conta das novas tecnologias e acabaram esquecendo-se do verdadeiro valor e cuidado com a terra. Hoje não acham sementes de boa origem para trabalhar, seus filhos já não gostam de plantar, não acham isso importante para o futuro, já que todos estão correndo atrás de dinheiro. Porque vou ficar plantando? Se posso trabalhar num escritório ou empresa e ganhar para poder comprar o que preciso. É uma realidade triste, mas a monocultura não esta acabando só com nossos alimentos e nosso meio ambiente, descaracterizando toda uma cultura de vida, toda uma historia de trabalho, com o solo e respeito com o meio ambiente.
Após esta conversa e uma noite de sono, remoendo tudo isso. Acordei e toquei a viagem rumo a Reservas do Iguaçu, segui mais 20 km até Pinhão. Uma cidade pequena bem típica de interior. Passei quase batido, quando me deparei com uma pista de skate, aí tive que parar e sonhar em andar lá ... hahaha. Peguei uma estrada bem bacana lisinha de 40 km até Reservas do Iguaçu, a estrada tinha o asfalto liso, com vários rios, com quedas de água e só tinha fazenda, tudo monocultura, não se via uma árvore a quilômetros, lugar lindo pela plenitude e horrível por seu deserto verde, bem no começo da estrada tinha uma placa OBRA DO GOVERNO ALVARO DIAS LIGAÇÃO PINHÃO, RESERVAS DO IGUAÇU, já fiquei puto pela falta de ética do ex-governador, em colocar uma placa com seu nome em uma obra pública. Quando terminou os primeiros 10 km, que por acaso é aonde tem a entrada da maior fazenda da região, a Dois Pinheiros, que não duvido ser de algum amiguinho do ex-governador. O asfalto acaba. Os próximos 30 km estão em estrada de chão batido, fiquei puto mesmo com o ex-governador safado, bota a placa com o nome dele e nem termina a estrada. Tudo bem, parei, troquei os pneus e continuei pelos 30 km de estrada de chão, que dava para se ver, que em época de chuva deve ser intransitável.
Pedalei por diversas fazendas de monocultura, pasto que não acaba mais, de perder de vista, muitos rios cruzavam a estrada, algumas quedas de água, cheguei a RESERVAS DO IGUAÇU. Informei-me sobre um local para me hospedar e nada, me informaram que havia um corpo de bombeiros na vila da COPEL a 9 km. Segui viagem e quando cheguei à vila o corpo de bombeiro, havia sido desativado só há 10 anos, ... iuhulll. Fui então a um Posto da PM, pedi abrigo, de cara já recebi um não, e pela região não tinha nada. Teria que me virar, agradeci a “gentileza” do soldado e perguntei onde fica a gerencia da COPEL. Informou-me o nome do gerente da Vila, lá fui eu atrás, conversei, contei minha estória e ele se comunicou com a Guarda Florestal, arranjou-me um local para o pernoite. Opa agora sim!!!
Aproveitei o resto do dia para visitar o Museu da Vila, coisa mais linda gente, todo de madeira com um mirante de tirar o fôlego. A Vila em si é coisa de primeiro mundo, tudo limpo e bem organizado. Conversei com alguns funcionários que me contaram sobre o trabalho ambiental da empresa, sobre seu horto de mudas nativas, do criadouro de peixes nativos, do trabalho de reciclagem e destinação de lixo, muito legal mesmo o trabalho da COPEL. Parabéns!!!
Agora estou no alojamento da Guarda Florestal, que foi atender uma ocorrência de caça na região de Guarapuava. Só tenho a agradecer o tratamento do pessoal mais uma vez, a corporação dos bons, colaboraram com a viagem e daqui saio amanhã com novos amigos, dicas valiosas para a viagem e algumas experiências trocadas.
É isso ai pessoal, amanhã pedalo para Saudades do Iguaçu, até breve e boa pedalada.
massa mermao!!! boa sorte ai nego!!!
ResponderExcluirsoh quer saber de andar de bicicreta neh pia pancudo! vai trabalha vagabundo! :*
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